DORES CIÁTICAS E OSTEOPATIA

Dores ciáticas e Osteopatia

É comum encontrarmos queixa de dor lombar no consultório de Osteopatia. Se vem acompanhada de irradiação para o membro inferior, no trajeto do nervo ciático, a primeira suspeita, que pode vir inclusive do próprio paciente, é de hérnia de disco na coluna lombar. Isto ocorre, provavelmente, porque a hérnia de disco aparece com frequência elevada nesta região da coluna e todo mundo conhece alguém que já sofreu com isso.

Mas não é só o disco herniado que pode gerar dor no trajeto do nervo ciático. Alguns músculos, vísceras e ligamentos podem também gerar sintomas nesta região. Há dificuldade de padronizar a nomenclatura, porém é mais comum dividir estes sintomas em 2 grupos: a dor irradiada e a dor referida.

Hérnia de disco que comprime a raiz nervosa

hernia

A dor irradiada é a dor no trajeto do ciático que é gerada pelo sofrimento do próprio nervo ciático e a dor referida é a dor no trajeto do ciático que é gerada por disfunção de outros tecidos.

O que pode gerar dor irradiada?

Qualquer compressão sobre a cauda equina, as raízes nervosas, o próprio nervo ciático e suas terminações.
Essa compressão pode ser gerada por uma alteração no canal medular (hérnia de disco posterior, espessamento do ligamento amarelo, tumor no canal medular, osteófitos marginais na região posterior dos corpos vertebrais, espondilolistese), que comprime a cauda equina – mais comum- ou a própria medula- menos comum.
Pode também ser gerada ao nível dos forames intervertebrais (hérnia de disco foraminal, tumor, osteófitos da articulação intervertebral, espondilolistese), que comprime as raízes que dão origem ao nervo ciático.

Dor irradiada para o membro inferior

Dor-irradiada-para-membro-inferior

Outra possibilidade de compressão é ao nível dos desfiladeiros que o ciático se localiza (sob ou entre as fibras do músculo piriforme, sob as fibras do ligamento sacroespinhal, sob as fibras dos isquiotibiais, na região posterior à cabeça da fíbula, entre as fibras do músculo sóleo, ao nível do túnel do tarso), que comprime o próprio nervo ciático ou suas ramificações.

O que pode gerar dor referida no trajeto do ciático?
Comprometimentos no útero ou bexiga urinária, ligamentos interespinhosos, iliolombares, sacrotuberias e sacroespinhais, músculos piriforme e glúteos. Estas estruturas, por mecanismos ainda pouco conhecidos, se estiverem disfuncionais, geram sintomas distantes do seu local de origem.

As dores referidas mais conhecidas são a dor ou formigamento que ocorre no membro superior esquerdo durante uma isquemia do miocárdio e a dor lombar durante uma crise renal.

Dor referida do músculo glúteo mínimo

Dor-referida-musculo-gluteo-minimo1

Para que haja dor no trajeto do ciático, a disfunção pode estar no útero (disfunções somáticas, endometriose, miomas, tumores…) ou bexiga urinária (disfunções somáticas, infecção de repetição, cálculos vesicais…), ligamentos iliolombares, sacrotuberias e sacroespinhais, músculos piriforme e músculos glúteos.

O útero e a bexiga urinária podem apresentar alguma doença ou estarem com sua mobilidade diminuída, os ligamentos podem estar tensionados ou menos flexíveis e os músculos podem apresentar alteração de tônus. Qualquer uma dessas condições pode gerar dor referida no trajeto do ciático.
Nos casos de dor referida, o tratamento do disco não terá efeito significativo sobre a dor e incapacidade do paciente.

A Osteopatia pode auxiliar o paciente que apresenta dor irradiada e dor referida?

Sim, se a alteração presente no tecido responsável pelo sintoma seja por falta de mobilidade tecidual. O osteopata terá que encontrar uma ou mais restrições de movimento que justifiquem o sofrimento tecidual que está gerando sintoma no paciente. Para isso realizará testes específicos para cada tecido a fim de encontrar qual região está menos móvel e qual é o tecido responsável por esta falta de mobilidade.

Para Cox (2002), 90% das hérnias de disco lombar melhoram com tratamento não cirúrgico.
Por exemplo, no caso de uma compressão da raiz nervosa por uma hérnia de disco degenerativa. A degeneração discal ocorreu, provavelmente, por sobrecarga mecânica sobre o disco. Normalmente a sobrecarga mecânica se dá por excesso de mobilidade articular, o que faz com que o disco seja exigido além do normal (isso corre porque o disco tem uma função estabilizadora importante na coluna vertebral). Existem duas possibilidades para o excesso de mobilidade: ou houve um trauma, que lesou uma estrutura estabilizadora ou há uma restrição de movimento, que gerou um aumento da mobilidade compensatório. O osteopata terá que encontrar qual região e qual tecido encontra-se menos móvel e que esteja gerando excesso de mobilidade no nível que desenvolveu hérnia.

Outro exemplo é no caso de uma dor referida ligamentar. O ligamento pode gerar sintoma apenas quando é tensionado exageradamente. Isso ocorre se o ligamento estiver menos flexível ou se as estruturas em que o ligamento se fixa estão em disfunção mecânica, tracionando o ligamento. Neste caso o osteopata terá que aumentar a mobilidade ligamentar ou corrigir as disfunções que geram tração sobre o ligamento.

Se a dor for referida visceral, a víscera pode estar disfuncional porque está menos móvel, porque tem uma alteração na sua inervação simpática (coluna toracolombar) ou porque tem alteração na sua inervação parassimpática (nervo vago ou nível sacral). O osteopata terá que intervir no local disfuncional (víscera e/ou coluna vertebral e/ou crânio) para que a víscera deixe de gerar dor referida.

É sempre importante para o tratamento osteopático que seja realizada uma avaliação criteriosa e minuciosa, integrando informações do histórico do paciente, testes ortopédicos e neurológicos e, principalmente, testes de mobilidade tecidual (testes osteopáticos).

Após avaliação, o Osteopata deve eleger as técnicas mais eficazes para intervir em cada tecido disfuncional, com o objetivo de liberar as restrições encontradas nos testes osteopáticos.
Se a mobilidade for restaurada não haverá mais obstáculos mecânicos para que o corpo do paciente realize a autocura, que é um dos principais pilares do princípio osteopático

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